segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Dúvidas

É em um dia normal,
Em que se acorda, toma um banho,
Um café da manhã, escova-se os dentes.
É em um dia normal,
Em que se estuda, em que se muda as ideias,
Percebe-se a vida, corrida, sem tempo para pensar.
É em um dia normal,
Em que seu café torna-se complexo,
Um cigarro torna-se pensativo, o horizonte infinito,
E não há tempo para pensar.
Olhei para o céu, perguntei para o ar,
Perguntei para o mundo, mas ele não ouviu meu perguntar.
É em um dia normal, que perguntei,
Mas com todas as minhas dúvidas fiquei,
E será em um dia normal,
Que olharei para o céu, perguntarei ao ar,
E do mundo não terei resposta ao meu perguntar.

(Crlos A. T. Rossignolo)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Outono


Vejo pela janela as folhas caindo,
Em um ensaio frenético, estético, cinético.
Vejo pela minha vida as coisas sumindo,
Distante, errantes, marcantes.

O sol castiga meu corpo,
A lua castiga meu espírito,
As asas dos pássaros de outono
Ruflam, estufam, desmancham.

Nesse ensaio de viver,
Vou tentando me tornar,
Aquele ideal par os outros,
Mas não pra mim.

A brisa na janela, a chuva no telhado,
O sol se escondendo, o chão todo molhado,
Sendo sempre assim esse ensaio,
Molhado, atado, amedrontado.

(Carlos A. T. Rossignolo)

domingo, 17 de julho de 2011

Quando olhei para o céu, vi ele límpido. As estrelas todas a sorrirem dissimuladas, exalando um brilho cruel. Mas tinham nuvens, nuvens adeptas ao luar. A lua escondia sua face, tão linda, tão alva, tão pura, desses vermes mortais indignos de contemplá-la.

(Carlos A. T. Rossignolo)

Cachinhos Dourados

Esses seus cachinhos dourados,
Que balançam na brisa ao luar,
Esses seus olhos claros,
Fazem o vento cantar.

Nessa imensidão de sorrir,
Nesse frescor das ondas do mar,
Balançam os cachinhos a sentir,
Que leve está seu balançar.

Os dias vão, os sóis se põem,
As noites vem, as estrelas se escondem,
A lua morre, brilha, reluz.

Os cachinhos mexem, dançam,
Os cachinhos dourados balançam,
E aos que passam, seduz.

(Carlos A. T. Rossignolo)


Amar é só mais uma forma de nossa espécie demonstrar o quanto egoísmo nós praticamos durante nossa ínfima existência. Quando amamos queremos a pessoa perto para podermos ficar bem, assim como em todos os nossos atos, todos visando apenas nosso bem estar.

(Carlos A. T. Rossignolo)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Batalha

"A alma é aquilo que o corpo recusa." (Alain)


Nesse corpo encorpado,

De músculos e neurônios,

Nessa mente encefálica,

De pensamentos e malícias,

Reside algo alvo,

Algo puro, intocável.

O sopro divino ao homem,

O que nos difere dos anjos e demônios.

O ser humano em seu êxtase,

Suprime, oprime, deprecia,

Essa alma branca e cálida,

E o corpo luta, camufla, reduz...

A alma trancada, gritando, berrando...

A alma amada, amando, sonhando...

Mas a carne combate, rebate, ataca.


Comandam as pernas, os braços, as bocas,

Esses neurônios prepotentes, egoístas,

As falas, os olhares.


Mas e a alma?


A alma fica trancada, gritando, berrando...

Assistindo a sua prisão destruir o mundo.

(Carlos A. T. Rossignolo)

"Uma loba amamenta os Gêmeos, e Roma nomeia-se princesa do mundo!" (von Goethe)