quinta-feira, 1 de julho de 2010

Nevoeiro




Era um entardecer cansativo e frio,
Entre as árvores luzia uma fúnebre luz,
Naquele branco pálido sentia um vaziu,
Algo que a solidão e a morte nos conduz.

Sentado em um banco quebrado,
Embaixo de uma grande e negra árvore,
Olhava os movimentos, as pessoas ao lado,
Que estavam gélidas como o mármore.

Das trevas saiam sons,
Das moitas corriam ventos,
Das bocas proviam dons.

A cada passo me fazia atento,
Olhava o relógio em tons,
E precisava ir, por em movimento.

(Carlos A. T. Rossignolo)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Reflexão



As vezes é necessário um pouco de lágrimas para irrigar a nossa flor interior, para que ela possa crescer e se desenvolver, na luz da sabedoria.

(Carlos A. T. Rossignolo)
E é lágrima que corre em meu rosto sem direção, esse sofrimento que guardo no peito, esse amor reprimido que me faz gritar por dentro um "te amo" inaudível... Isso me faz sentir a humanidade que trago por herança dentro de mim!

(Carlos A. T. Rossignolo)

Novo Amor

“No romantismo a idealização, no simbolismo a melancolia do amor.
Há uma nova forma de amar, um amor moderado, lógico, controlável.”


Amor meu!
Te amo assim, desse jeito,
Que do calor dos peitos seus,
Já após o beijo, desfeito,
Olhando o azul dos céus.

Amo de vez em vez!
Não quero ser pressionado,
Viverei livre como beija-flor,
Não serei aprisionado,
Pelo seu ingrato amor.

Amo logicamente!
As horas que contigo passo,
São preciosas, ficam na memória,
Mas, logo após, me livro do seu laço,
Sozinho farei história.

Amo moderadamente!
Tenho uma vida para viver,
E você também a tem,
Por ti não hei de sofrer,
Distanciando-me, porém.

Amo disfarçadamente!
Do sorriso sincero,
Tens de mim a gratidão,
Por entender este esmero,
Do fundo de meu coração.


(Carlos A. T. Rossignolo)

Bivalente

Eu, poeta, vejo graça nas voltas da vida,
Sinto prazer em compartilhar esse momento,
Que da minha bagagem traz a lida,
Da sorte, amor, sentimento ao vento.

Sinto alegria, vejo um ângulo diferente,
Tenho em meu peito a poesia, sensibilidade,
Vejo um mundo progressista, reluzente,
Não vejo defeitos, sim complexidade.

Eu, homem, não sei a graça de viver,
Vivo triste, sozinho, no mundo real,
Não tenho a fuga da poesia, saber,
Só sinto a dissertação, que me é letal.

O mundo é cinza, áspero e rude,
Só dá vitória aos pessimistas, solidão,
Tentei. Tentei fazer o que pude,
Mas a amargura sempre volta ao coração.

Ó matemáticos! Se encontrares
Uma fórmula de coexistência,
Lancem-na toda aos ares,
Se não, pa-ciência.

(Carlos A. T. Rossignolo)

domingo, 27 de junho de 2010

Atmosfera

Os pássaros em ti deleitam,
As nuvens se formam em teu leito,
Os raios solares te espreitam,
Eu, te respiro em meu peito.

Tu, atmosfera, vem e voa,
Em tuas asas quero estar,
Essa imensidão que me magoa,
Essa pressão intensa de ar.

Por ti eu livre seria,
E nos teus ares flutuantes,
Um ser feliz se fazia,
De todas as direções errantes.

Envolveria o planeta inteiro,
Em meus braços leves seria subjugado,
Exalaria um doce cheiro,
E aos céus o meu legado.

(Carlos A. T. Rossignolo)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Iluminado

Estavam os raios de luz monocromáticos na janela,
Em que passavam refratando e refletindo;
O som que saia da tampa da panela,
Ia me atingir, me fazer calar, ouvindo.

Essa ondas vibravam, diferentes das do mar,
Me atingiam, me tocavam, traduziam;
Conflitavam com meu eu, me fazia pensar,
E assim, as crianças que as ouviam, sonhavam.

No canto da sala um piano que tocava,
Espalhava suas notas melancólicas pelo ar,
E meus ouvidos, do mundo me cegava.

Só havia o sentir, não conseguia mais pensar,
E o vento deslizante que chegava,
Trazia os suspiros satisfeitos das ninfas do mar.

(Carlos A. T. Rossignolo)