domingo, 17 de julho de 2011

Quando olhei para o céu, vi ele límpido. As estrelas todas a sorrirem dissimuladas, exalando um brilho cruel. Mas tinham nuvens, nuvens adeptas ao luar. A lua escondia sua face, tão linda, tão alva, tão pura, desses vermes mortais indignos de contemplá-la.

(Carlos A. T. Rossignolo)

Cachinhos Dourados

Esses seus cachinhos dourados,
Que balançam na brisa ao luar,
Esses seus olhos claros,
Fazem o vento cantar.

Nessa imensidão de sorrir,
Nesse frescor das ondas do mar,
Balançam os cachinhos a sentir,
Que leve está seu balançar.

Os dias vão, os sóis se põem,
As noites vem, as estrelas se escondem,
A lua morre, brilha, reluz.

Os cachinhos mexem, dançam,
Os cachinhos dourados balançam,
E aos que passam, seduz.

(Carlos A. T. Rossignolo)


Amar é só mais uma forma de nossa espécie demonstrar o quanto egoísmo nós praticamos durante nossa ínfima existência. Quando amamos queremos a pessoa perto para podermos ficar bem, assim como em todos os nossos atos, todos visando apenas nosso bem estar.

(Carlos A. T. Rossignolo)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Batalha

"A alma é aquilo que o corpo recusa." (Alain)


Nesse corpo encorpado,

De músculos e neurônios,

Nessa mente encefálica,

De pensamentos e malícias,

Reside algo alvo,

Algo puro, intocável.

O sopro divino ao homem,

O que nos difere dos anjos e demônios.

O ser humano em seu êxtase,

Suprime, oprime, deprecia,

Essa alma branca e cálida,

E o corpo luta, camufla, reduz...

A alma trancada, gritando, berrando...

A alma amada, amando, sonhando...

Mas a carne combate, rebate, ataca.


Comandam as pernas, os braços, as bocas,

Esses neurônios prepotentes, egoístas,

As falas, os olhares.


Mas e a alma?


A alma fica trancada, gritando, berrando...

Assistindo a sua prisão destruir o mundo.

(Carlos A. T. Rossignolo)

"Uma loba amamenta os Gêmeos, e Roma nomeia-se princesa do mundo!" (von Goethe)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Abadia

Seus tetos altos e transparentes,
Faziam apagar dele suas imagens,
Imagens brancas, de santos e anjos,
Todos heróis, mas apenas imagens.

Seus corredores mortos,
Suas promessas apagadas,
Seus vitrais chorando,
A chuva que corria lá fora.

Quantas mentiras, quantos passes
Comprados diretos para os aposentos eternos.
Quantas pessoas desesperadas por uma ideologia
Sem nem entenderem o Amor.

Quanto ouro reluzindo em suas taças,
Quanta prata em seus cálices,
Que não conseguem dissipar com seu brilho,
A escuridão de seu passado.

Nem os santos, nem os anjos,
Nem os papas, nem as imagens em ouro,
Nem os vitrais reluzentes, nem Michelangelo,
Podem disfarçar o sangue jorrado outrora.

(Carlos A. T. Rossignolo)

terça-feira, 14 de junho de 2011

A semelhança entre a poesia e uma estrela é que ambas conseguem emitir luz em meio a escuridão. A diferença é que uma estrela explode pra morrer. A poesia explode para nascer no coração de um simples mortal!

(Carlos A. T. Rossignolo)