terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sophia

Em alvos campos de conhecimento,
Me banho em lagos cristalinos,
Das músicas entoadas pelo vento,
Ouço o toque macio do grave sino.

Viajo pelo vazio vago do subconsciente,
Nas épicas batalhas me sinto herói,
Em meu mundo sou contente,
Tenho sonhos que não se destroem.

Sou o deus da poesia,
Esclareço as verdades mundanas,
Tenho por nome Sophia.

Ajudei a classe tirana,
Que governou de forma fria,
E conduziu a sociedade profana.

(Carlos A. T. Rossignolo)

domingo, 8 de agosto de 2010

Decepção

Na vida tudo é simples ilusão,
Não há amores, senão na mente,
Nós criamos nossa severa prisão,
Nos concretamos em um ser ausente.

Somos pó, diante de algo tão alvo,
Que não compreendemos nosso ser,
Achando que estamos a salvo,
Em nosso ínfimo e rápido viver.

Pessoas passam, nos decepcionam,
Anos passam, nós caminhamos,
Os sentimentos passam, nos abandonam.

Está tudo nas mãos de um ser supremo,
Que nos conduz por seu amor.
Tudo passa! Tudo ao extremo...

(Carlos A. T. Rossignolo)

sábado, 7 de agosto de 2010

Uvas Passas

Em repentino momento,
Olhei para o triste vento,
Que para mim ele uivava,
E as misérias entregava.

"Não existe perfeição,
Nem mesmo um bom coração,
Que ao longo da vida não
Murche na má solidão."

E com ouvidos tampados,
Ainda ouvia o som,
Em minha mente calado.

E o vento ia passando,
Pelas escuras colinas,
E sua dor espalhando.

(Pelas escuras colinas
O vento ia passando,
E abrindo suas latrinas.)


(Carlos A. T. Rossingolo)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Solunar

Olho para o dia de lua,
Vejo a noite de sol,
Por não ter a boca tua,
Me remexo no lençol.

Há noites de sol,
Há dias de lua,
Me fisga como anzol,
Essa linda face tua.

Eu águo tua flor,
Com minhas lágrimas de dor,
Que avivam seu esplendor.

Tu, como a lua, não vês a mim,
Eu, como sol, nutro seu jardim,
Com os raios de paixão sem fim.

(Carlos A. T. Rossignolo)

Lusolar

Essa luz solar que de noite brota,
Me faz sentir o voo de uma gaivota,
Voando sobre o céu estrelado em cores,
Experimentando dos algodões os sabores.

Aos pés, a imensidão azul do mar,
Que de alegria à gaivota, rouba um cantar,
A Lua amando o Sol e sua sequidão,
E na noite conota eterna solidão.

Não há lua no céu,
Não há lua no mar,
Não repele como fel,
Não agrada como manjar.

Tudo é ilusão,
Que dos amores sofrerão,
Nessa vasta imensidão,
Que cabe em um coração.

(Carlos A. T. Rossignolo)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

"Quem realmente sente a poesia se liberta,
Quem a constrói, a julga."
(Carlos A. T. Rossignolo)

"Me aproximo do tempo para me libertar,
(Nos estudos, uma carreira profissional e a independência)
Me ausento dele para me aprisionar."
(Ócio, inspirar-se e fazer poesia)
(Carlos A. T. Tossignolo)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Soneto a Santiago

"A Machado de Assis, que me concedeu
o primeiro, o décimo primeiro e o
décimo segundo versos deste soneto."


Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
Tu me examinas assim como um réu,
Pousas os olhos sobre mim, crua,
Que pairam, de cigana e de ressaca, no céu.

De cigana astuta, oblíqua e dissimulada,
De ressaca, que me traga e mantém
Meu querer em sua boca adocicada,
E de réu, me faz seu maior refém.

Deixo minha mãe, minha casa,
Minhas esperanças em seu coração,
Para poder ser livre, abrir as asas.

Perde-se a vida e ganha-se a batalha?
Ou perde-se a batalha e ganha-se a vida?
É um delicado fio, na face de uma navalha.

(Carlos A. T. Rossignolo)